Pesquisa aponta nova realidade do setor de varejo e consumo

Transformação digital, valorização do propósito e maior atenção às questões sociais são algumas das mudanças, apontadas em pesquisa da KPMG




Crédito: Pexels.com


Com forte impacto em todos os países do mundo, a pandemia da Covid-19 evidenciou – além da necessidade de respostas rápidas do ponto de vista sanitário e medidas de prevenção – a essencialidade dos avanços tecnológicos em todos os âmbitos, incluindo o setor de varejo. Tendências que antes pareciam distantes, tornaram-se fundamentais para os empreendedores que atuam na área e que se viram obrigados a se adaptar para se manterem no jogo.


Transformação digital, valorização do propósito e maior atenção às questões sociais são algumas das mudanças notadas a partir de 2020 no segmento, aponta a pesquisa KPMG 2021 CEO Outlook Pulse Survey, realizada entre fevereiro e março de 2021, e que discute o presente e o futuro do setor de consumo e varejo a partir das perspectivas de alto executivos de empresas desse mercado.


Segundo a análise da consultoria – que contou com a participação de 60 executivos do setor, atuantes em 11 mercados como Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Espanha, Reino Unido e EUA –, na prática, a pandemia foi um acelerador do processo de transformação dos negócios, que mudaram definitivamente. Entre outros, o trabalho centrado na experiência do cliente, o poder das marcas que atuam com propósito e o potencial de plataformas digitais são algumas das tendências que vieram para ficar.


No Brasil, por exemplo, o ano de 2020 mostrou que o desenvolvimento sólido da tecnologia, até então visto como um diferencial, se tornou condição básica para se manter competitivo. O panorama foi constatado no Índice de Transformação Digital da Dell Technologies 2020 (DT Index 2020), que apontou que 87,5% das empresas instaladas no Brasil realizaram alguma iniciativa voltada à transformação digital neste ano, número acima da média mundial, de 80%.


Abaixo, confira, as principais movimentações notadas a partir da pesquisa da KPMG:


1. O efeito acelerador da pandemia

Notado em todos os ramos, no mercado de varejo e consumo, a pandemia impulsionou transformações profundas e rápidas, passos que não devem retroceder mais. Na prática, o estudo aponta que os negócios mudaram para sempre. "A evolução da experiência digital dos clientes é um bom exemplo de elemento gerador de impacto rápido e duradouro, com efeitos significativos na estratégia dos negócios", ressalta o estudo. Prova disso é o investimento em e-commerce e plataformas de vendas online. A maioria (78%) dos executivos de consumo e varejo entrevistados reportaram que planejam investir mais nesses canais; e 77% deles, em tecnologias centradas no cliente – como chat bots e sites.


2. Negócios mais eficientes e geração de valor

Para os participantes do estudo, a crise sanitária também acelerou a digitalização das operações das empresas. Em questão de meses, modelos operacionais de última geração foram implementados, melhorando a eficiência dos negócios e as experiências dos clientes, resultando em novos fluxos de receita para muitas organizações. A atuação com um propósito corporativo forte também resultou em "um compromisso inabalável com as metas ambientais, sociais e de governança de muitas empresas."


No varejo e consumo, 92% dos especialistas ouvidos enfatizaram que pretendem garantir os ganhos de sustentabilidade e mudanças climáticas que obtiveram no ano passado, e quase todos (98%) afirmam que já começaram a mudar seu foco principal para o componente social do seu programa de ESG (traduzido do inglês, Governança Ambiental, Social e Corporativa).


"Conforme o otimismo aumenta com a reabertura dos mercados, os CEOs de Consumo e Varejo focam em investir no engajamento digital e na flexibilização da resposta ao comportamento do consumidor. Daqui em diante, o top-down vai focar fortemente na estabilidade e na eficiência da cadeia de suprimentos, integrando permanentemente aos seus modelos de negócios os pivôs de sucesso na pandemia e garantindo que as estratégias de ESG se tornem realidade", afirma Matt Kramer Sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG nos Estados Unidos, no estudo.


3. Novas oportunidades no horizonte

Para empreendedores, vale ainda ficar atento ao poder e potencial de negócios a partir do novo panorama de compras e consumo. Se a mudança é uma constante, quem atua nesse setor deve se manter atento a oportunidades emergentes de crescimento. Um dos mercados a acompanhar é o avanço das plataformas de vendas digitais é um dos principais fatores, devido ao seu potencial para gerar aumentos significativos na receita, o que faz com que muitas empresas de consumo e varejo estejam motivadas a acelerar a integração das vendas digitais para o cliente e as soluções de serviço nos seus modelos de negócios, implementando operações habilitadas pela tecnologia para melhorar a eficiência geral do negócio.


Em todo o país, segundo a 44ª edição do Webshoppers, relatório sobre comércio eletrônico elaborado pela consultoria Ebit | Nielsen em parceria com o Bexs Banco e divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, as vendas do comércio eletrônico encerraram o primeiro semestre em R$ 53,4 bilhões, um avanço de 31% sobre o mesmo intervalo de 2020. Embora alto, porém, o número sinaliza uma desaceleração sobre o mesmo período do ano passado, quando houve uma disparada de 55% nas vendas, para R$ 40,8 bilhões. Isso decorre do panorama atual do país e queda no poder de compra do consumidor.


Ainda segundo o mesmo estudo, para 2021, a previsão é que o comércio eletrônico atinja R$ 108,4 bilhões, 24% acima do que o registrado em 2020, ano que já apresentou um desempenho muito superior ao período anterior – somando R$ 87,4 bilhões, alta de 41% sobre 2019.


O estudo completo pode ser conferido no site da consultoria KPMG.